“A FORÇA VEM DA SEDA”
Ralyanara – 2025
No seio do Parque Estadual Terra Ronca, município de São Domingos, Goiás, o Cerrado se apresenta de maneira vibrante. Em diversas veredas existentes no local, a palmeira de buriti se destaca por proteger nascentes de águas doces, cristalinas e brejeiras. Conhecendo diferentes veredas, algumas mulheres na região tramam uma relação estreita com a palmeira e suas águas. Elas revelam o saber-fazer de objetos a partir da seda do buriti. Este delicado trabalho expõe uma costura apertada entre seres multiespécies, mostrando as conexões entre saber/fazer, técnica/objeto, natureza/cultura.
As palmeiras de buriti, com suas folhas majestosas, são a matéria-prima essencial para a produção de linhas oriundas da delicada “seda”. A atividade requer perspicácia e sensibilidade, pois cada fio extraído deve ser tratado com cuidado, evidenciando o contraste entre a robustez da palmeira e a suavidade da linha.
A seda de buriti é extraída do “olho”, ou da jovem folha da palmeira – antes que ela se abra completamente. A maleabilidade e resistência da fibra garantem a capacidade de se tecer, costurar e bordar com estas linhas. A seda não é utilizada para criar peças. Mas, sim, para costurá-las ou amarrá-las. Neste sentido, a seda é o fio que confere força, estética e durabilidade para objetos artísticos, decorativos e de usos domésticos.
“A força vem da seda”. 2025.
Narrativa visual. 8 obras. Digital. 30×40 cada.